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“O Brasil precisa ajudar no combate à fome", diz diretor da FAO

Data: 26/01/2012 Fonte: REDAÇÃO ÉPOCA, COM AGÊNCIA BRASIL

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​O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano, fez nesta terça-feira (24/01) seu primeiro pronunciamento público como chefe da agência e indicou que vai tentar ampliar a tuação do Brasil no combate à fome. Segundo Graziano, a FAO precisa incluir a sociedade civil e e não apenas os governos na luta contra a fome e a insegurança alimentar pelo mundo, e que o Brasil precisa cooperar com outros países.

“O Brasil precisa ajudar outros países, principalmente, os africanos”, disse Graziano no evento do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio Grande do Sul, que abriu a programação do Fórum Social Temático (FST), que até 2011 era conhecido como Fórum Social Mundial.  “A FAO tem que abrir as portas para a sociedade. Estamos tentando criar espaços de interlocução com a sociedade para quebrar o monopólio de interlocução com governos, de alguns governos específicos, como acontecia nos últimos anos."

Segundo Graziano, o orçamento anual da FAO, de cerca de US$ 1 bilhão, é pequeno diante do desafio de ajudar 1 bilhão de pessoas que passam fome no mundo, mas que o papel da agência é atuar como multiplicadora de iniciativas que reduzam a insegurança alimentar.“A FAO é uma agência de cooperação técnica, tem que ajudar a difundir boas experiências e colocar assistência técnica à disposição”, disse.

Para o diretor-geral da FAO, a meta é priorizar o orçamento para ações de segurança alimentar e reduzir gastos com a burocracia interna da entidade. “Uma das nossas primeiras ações foi racionalizar recursos, gastar o mínimo possível com a burocracia, com papeis, cortamos até viagens de primeira classe”, disse.

Ao tratar do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio de reduzir a fome à metade até 2015, Graziano disse que a meta é insuficiente, porque ainda deixa vulnerável metade da população atual de famintos, mas que o compromisso pode ser o primeiro passo para erradicar o problema. “Temos que impulsionar a meta do milênio, 2015 é um prazo muito importante. Mas como explicar para a outra metade que passa fome que a situação não vai mudar? Não é possível conviver com 500 milhões de pessoas passando fome", disse. "Nossa meta é erradicar a fome, mas a meta nos impõe um desafio”, avaliou.

Países que já conseguiram cumprir a meta, como o Brasil, tem o dever de ajudar nações com índices drásticos de insegurança alimentar, na avaliação de Graziano. Entre as medidas de apoio, o diretor-geral defendeu o fortalecimento e a expansão da atuação internacional da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).  Para uma plateia de ativistas e representantes de movimentos sociais, Graziano disse que o enfrentamento da fome não pode ser encarado como um desafio impossível. “Utopia é achar que existe desenvolvimento sustentável sem segurança alimentar, achar que poderemos seguir em paz com um bilhão de pessoas passando fome.”

Anfitrião do evento, que ocorreu no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, o governador Tarso Genro (PT) disse que a chegada de Graziano à FAO reflete os avanços da sociedade brasileira nos últimos anos no combate à fome. “É um mérito da nação brasileira, corresponde ao que o Brasil fez nos últimos anos”, disse, em referência aos programas sociais do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente o Fome Zero.

 
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