Carta ao Associado
Não sei se acontece com você, mas a leitura do texto sobre o pequeno Eleandro, escrita pelo Rogério Furtado e transcrita abaixo, me emociona... O texto me remete a um período não muito distante da história do Brasil em que a merenda escolar era a única refeição de milhões de alunos das escolas públicas. E você sabe, não é, que criança e fome não são coisas que combinam...
Felizmente, hoje casos como o de Eleandro não são tão freqüentes. Os investimentos sociais, o aumento da produção de alimentos no país e a melhoria nas condições de acesso ao alimento reduziram os casos de desnutrição. Entretanto, esses mesmos fatos trouxeram uma outra realidade, igualmente perversa: a obesidade infantil e as doenças derivadas dela, resultado de uma alimentação abundante de pouca qualidade. É como diz o ditado: "Quem, nunca comeu melado quando come se lambuza...".
Assim é...
O fato é que o programa de merenda escolar praticado no Brasil é hoje uma política de Estado bem estruturada e consolidada. Muitas crianças têm na alimentação escolar senão a única refeição do dia, certamente a mais saudável. Por isso, merece investimento grande para que sua execução seja sempre bem realizada.e seus objetivos plenamente alcançados.
Ao apoiar o projeto Gestão Eficiente da Merenda Escolar, você, associado, faz parte desta história. O trabalho que a Ação Fome Zero realiza só é possível porque existem empresas e empresários que, como você, têm responsabilidade com o desenvolvimento humano e social do país.
Pelo apoio e a confiança depositada, muito obrigada. Como dizemos por aí, quando em atividade nos municípios pobres e ricos do país, "agora todo mundo vai saber quem tem apetite para cuidar das futuras gerações".
Muito obrigada.
Fatima Menezes
Em certo dia de maio, por volta de 10 h, Eleandro da Rocha, de sete anos de idade, comemorava sua cota diária de satisfação.
Como desconhece luxos, tudo se resumiu a andar de ônibus e depois saborear a merenda na escola rural que freqüenta, no município paranaense de Fernandes Pinheiro. Para a fotografia na sala de aula, o menino indicou com três dedos quantas vezes havia se servido na refeição matinal. Na outra mão segurava uma folha de papel, com o desenho de um boneco que enfeitara.
Um retrato de suas viagens exploratórias ao território das cores e formas. Embora titubeantes, é de esperar que essas incursões também lhe sejam prazerosas. Isso importa: do mundo, Eleandro com certeza já acumulou o quinhão suficiente de impressões amargas. Até 2006, caminhava sozinho cerca de 40 minutos para tomar o ônibus escolar. Outras contrariedades ainda presentes no seu cotidiano não devem ser comentadas. Até certo ponto são perceptíveis em sua fisionomia e nas roupas. Agora Eleandro mora com avós, a cinco quilômetros da escola, e a condução passa quase na porta. A situação melhorou um pouco, mas para trás ficaram a mãe e cinco irmãos - um é recém-nascido -, mergulhados na realidade sombria das famílias carentes. Ao comer à vontade na escola, pelo menos Eleandro afasta o espectro da fome. E talvez possa sonhar com coisas próprias de sua idade.
(fragmento do texto escrito por Rogério Furtado, jornalista que visita as cidades brasileiras e descreve as experiências premiadas no Prêmio Gestor Eficiente da Merenda Escolar)